Quando ela tomou a decisão de completar
sua metamorfose, soube desde o início que não seria fácil. O que importava era
o resultado.
A distância do Outro, tão longe por um
tempo, até tornou-se uma vantagem, ao invés de uma já esperada saudade.
No início nem conseguia pensar em sexo.
Olhava seu corpo, era impossível sentir
algum tesão daquele jeito. E nem pensar que alguém pudesse desejá-la assim.
Mas o tempo foi passando, os resultados
foram aparecendo aos poucos, os cuidados já não eram tantos, as dores se
foram... sua libido dava sinais de renascimento.
Além disso, é sabido que qualquer
situação de restrição deixa qualquer ser humano com mais vontade de fazer o que
não pode.
Foi então que resolveu deixar seu corpo
falar mais alto. Mas tocar-se apenas, não resolvia a questão...
Seu amado Dono estava ali, com olhar de
puro desejo. Ela necessitava do toque, do contato pele com pele. Deixou-se
levar por ele.
Permitiu que suas mãos passeassem pela
primeira vez em tanto tempo pelo seu corpo. Mãos firmes e suaves que
encontraram o caminho de seu sexo.
Estremeceu, ficou arrepiada! Como se
fosse a primeira vez... Deixou que ele a tocasse, estimulasse. Tanta coisa e ao
mesmo tempo nada pra pensar naquele momento. Faminto, ele usou sua boca para se
alimentar do sabor dela. Parecia que ele não a chupava há séculos! Excitada, encontrou
o sexo do Dono. Teso. Rígido, pedindo por ela. Tocou, massageou e chupou.
Trocaram carícias íntimas, um tanto
tímidas pela situação, mas suficientes para lembrar que estavam vivos, que
gostam de sexo e precisam disso. Suficientes para atingir o gozo revigorante,
que alivia tensões, satisfaz e faz querer mais. Suficiente para lembrar de quem
são e o caminho que escolheram.
Até a saudade do outro começava a querer
dar sinais de vida, mas esta ela guardou quietinha dentro dela, para outro
momento.
Estavam vivos, enfim. Juntos, sempre.
Prontos pra continuar.