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sábado, 5 de maio de 2012

Sob a visão Dele... Por Hipérion


   Ela é sensacional, simpática, alegre e muito inteligente predicados que toda mulher deve ter, casada porem com problemas conjugais e uma relação um pouco conturbada naquele momento, por coincidências ou não, surgiu em sua vida uma pessoa que naquele momento veio completar aquilo que ela sentia falta, o diálogo, algumas semanas de conversas e troca de impressões, foi surgindo uma vontade de se encontrar, por só estar junto na grande rede não preenchia o vazio que existia entre eles.
   Após o primeiro encontro as impressões foram as melhores possíveis, um amor de verdade surgiu entre eles com uma força até agora inexplicável, coisa de cinema. Os gostos semelhantes, a maneira de pensar igual, o mesmo padrão de música, etc...
   O tempo foi passando e isso ia só aumentando, um acordo foi feito, seria uma vida paralela e esta vida não seria empecilho para o casamento de ambos.
Ele sempre atento a ela, dividindo opiniões, provando de sabores, e muito carinho, na cama era uma loucura, tudo acontecia, ele romântico e ela descobrindo fantasias e formas de amar até então desconhecidas para ela.
Porem ele tinha algo de misterioso e ela não conseguia entender o que era, vez por outra ele falava de assuntos que ela desconhecia e contava estórias de pessoas que ele conhecia ou ouvira falar, esses assuntos eram picantes e estranhos para ela, nunca tinha ouvido falar sobre eles e até achava que eram lendas e como ela tinha vários tabus devido a sua criação, por inúmeras vezes disse que jamais faria aquilo ou coisa semelhante, porem seu par logo entrava com outro assunto, fazendo sua cabeça parar de pensar momentaneamente no que tinha dito, só que já a conhecia o suficiente para saber que eram sementinhas plantadas ao logo da estrada do coração e que um dia essas sementes poderiam florescer e daquela mulher brotar outra, se misturando e mudando a conduta.
Assim ele fez, como ele era dinâmico e suas palavras bem colocadas, aliado a inteligência dela e sua curiosidade, ela começa a pesquisar os assuntos ditos por ele e começa descobrir um universo paralelo, algo inusitado, porem que mexia dentro dela, aumentando sua temperatura e fazendo seu corpo tremer e um tesão crescendo e ficando incontrolável, via fotografias, lia textos e não sabia em que ela se encaixava, por si voltava a seu amor, tentando entender aquelas coisas e dele procurando explicações sobre aquilo, se ele já havia praticado, como aquelas pessoas podiam proceder daquela forma e o que aquilo proporcionava.
   Ele muito paciente, já havia se passado muito tempo com ela, eram confiantes um no outro e principalmente apaixonados, quando ele disse que a faria experimentar e começariam naquele momento, porem ela teria que ter a certeza que queria e um acordo foi firmado, tudo que for feito será de comum acordo e a qualquer momento pode por vontade de um dos dois parar de imediato, basta um sentir que não esta sendo legal para o outro ou se acontecer algo que ponha em perigo o parceiro.   Depois da conversa ele começa a colocar seu plano em prática finalmente, afinal ele vinha preparando ela há muito tempo.
   Ela não tinha nenhuma noção do que ele pretendia, porem ele sabia que sua namorada era uma mulher que estava apta e pronta para ser uma submissa e que aquele tempo gasto com aqueles assuntos nada mais era do que o início de seu adestramento.   Ela estava sendo adestrada há muito tempo e não tinha conhecimento disto.
   No mesmo dia durante o ato sexual, ele em seu ouvido, começa a falar em voz baixa elogios de sua performance sexual, diz quanto ela é gostosa, que é uma mulher especial, que é linda, palavras agradáveis de se ouvir quando o macho está dentro, provocando ondas de prazer, porem ele começa no meio de suas palavras quentes, embutir palavras que ela jamais tinha ouvido de um homem em sua vida durante o ato, ela foi chamada de puta, e logo em seguida de linda, foi chamada de vadia e depois de fêmea, vagabunda e depois amor, essas palavras ditas no ouvido de ela ao mesmo tempo em que o macho entrava e saia de seu sexo a deixavam louca, ela levou aquilo como um complemento e não ao pé da letra, naquele dia ela teve inúmeros orgasmos, foram incontáveis e se sentiu maravilhada, afinal nunca tinha sido assim e achou diferente e maravilhoso.
No  outro encontro o namoro estava quente, o sexo delicioso, ela goza e ele não, então ele sai de dentro dela, traz ela para junto e dá um abraço, diz que a ama e que ela é uma cadela deliciosa.   Ela estanca, qual homem chamaria a mulher que ama de cadela?   Ela retruca e diz não entender, quando ele com muito carinho diz que isso é a ponta de um iceberg, apenas uma ponta, que dentro dela existia uma cadela e ela nunca tinha dado conta e começa a rir, ela esta intrigada, sem entender, então ele pede confiança e pede também que deixe o barco correr e que tudo aquilo é uma peça de teatro para apimentar o sexo, que ela deixe fluir, apenas deixe fluir e depois diga se gostou ou não, que tenha confiança e se solte para as brincadeiras.
Ele a possui novamente, com força, prende seus corpo em uma posição que ela fica sem os movimentos, a mercê dele, apenas usando o corpo de macho, maior e mais forte para prender a fêmea, e com os movimentos reduzidos pelo corpo dele por cima, em um momento de quase êxtase, ele começa a falar novamente aquelas palavras, da um tapa em seu rosto e espera a reação dela, sua face fica rubra, porem ela não para de mexer  e de demonstrar mais tesão ainda, outro tapa agora mais forte e as palavras saem com mais força e intensidade, outro tapa e um gozo louco da fêmea, gemidos altos, quase gritos, ela enlouquece e diz que é aquilo que ela quer, que o ama e seu sexo aperta o dele, mais um gozo seguido de outro tapa, ela pede para que ele continue e não pare de mexer, de enfiar nela, outro tapa agora mais forte ela esta alucinada, louca, agora aflita, chora e pede para não parar, os gozos vêm um atrás do outro, então ela vira seu rosto como se oferecesse para mais tapas e sua cabeça cai ao lado como se precisasse descansar, neste momento ele goza dentro dela,  seu leite jorrando dentro de sua vagina a faz ter mais um orgasmo intenso, agora os dois ficam lado a lado, abraçados e ela um pouco envergonhada pergunta o que houve, e porque ele fez aquilo com ela.   Ele diz que aquilo é só uma brincadeira e que sabia que não a machucaria ou deixaria seu rosto marcado, ela esta sem saber o que houve e com vergonha diz nunca ter sentido aquilo antes, porem tinha sido muito gostoso.
   Ele sorri para ela e diz que muitas brincadeiras estavam por vir, entra no assunto e diz que entre eles tudo e válido, que só não poderia faltar o respeito à criatura humana e que tudo deveria ser conversado antes de ser feito.
   Ela esta enlouquecida, quem é aquele homem que está com ela?   Como uma pessoa pode extrair dela tesão através de dor?   Como isso pode acontecer?   Como ele fez aquilo?
   A hora de ir chega e ela vai para casa cheia de dúvidas, extasiada, porem com sua cabeça lotada de interrogações, então parte para a pesquisa, começa a ler mais sobre o assunto e descobrir que aquele universo traz para ela muitas coisas que jamais pensou existir e uma vontade enorme de experimentar aquilo que via nas fotos, e nos textos.
Nos encontros que sucederam cada um tinha algo de inusitado para ela, conheceu o sexo com privação dos sentidos, um de cada vez, vendada, amarrada, com sua boca impedida de falar, cheiros diferente, como canela, cravo e um perfume que ele usava, agora em toda ocasião e dentro do possível ela recebia tapas no rosto, nádegas e pernas.
   Ele inventava brincadeiras novas e diferentes a cada encontro, foi dando a ela brinquedos, para que usasse em casa, ensinou a ela como se masturbar de diversas formas e posições, anteriormente não tinha o hábito do prazer solitário.
   Depois vieram as cordas e fitas, o chicote a palmatória, as velas, o gelo, prendedores de seios e tarefas a serem cumpridas, ela aprendeu a baixar a cabeça, nunca desobedecer, perguntar se podia ou não tomar certas atitudes, aprendeu a beijar seus pés, pedir para ser possuída, aprendeu a não contestar uma ordem e entregar seu corpo a seu dono com toda a confiança.
Hoje ela é uma verdadeira submissa, completa, amante e amável, pronta, inteligente, sabe muito sobre o SM, porem em nenhum minuto deixou de ser a mulher forte que ele conheceu no início, altiva e atenta, abaixa a cabeça para seu Dono, porem continua sendo a eterna namorada e com isso o amor dos dois só se fortaleceu, agora são dois em um e se amam com muita força.


Escrito por Hipérion (Dono de Dorei)

sábado, 21 de abril de 2012

Uma submissa atípica...

   Quando uma pessoa pensa em uma mulher submissa, normalmente pensa que ela seja fraca, muitas, a maioria até pode ser, mas esta não é uma regra, ao contrário.   Acho que existe uma confusão de interpretação, ser submissa por escolha não significa ser fraca, ainda mais se estivermos falando de BDSM.   Para se submeter ao conceito de entrega às vontades de um Dono é preciso ter personalidade forte para não sucumbir.
  
   Fora deste contexto as submissas do SM geralmente são mulheres fortes, que tomam decisões, que geralmente estão à frente de alguma posição em que se vêm como líder, pode até não ser explícito, como chefe de algum departamento profissional, mas lá estão elas liderando naturalmente alguma coisa, entre amigos, ou em casa mesmo, entre seus familiares.
   Submissas costumam ser ponderadas e educadas, não é uma regra, claro, não existe nada neste mundo que não tenha suas exceções, mas isto não as impede se serem seres pensantes e que em muitas vezes tomem a palavra com altivez e desenvoltura, as vezes colocando “a boca no trombone” quando se faz necessário “por ordem na casa”.   Costumam saber o seu ‘lugarzinho’ como diz a minha sábia e forte amiga Kitty, mas é exatamente por isto que sabem observar quando alguma coisa está fora de lugar.   Geralmente esperam que as coisas se acomodem sozinhas, isto muitas vezes acontece, entretanto pode não acontecer, pode ser que ela se veja impelida a tomar uma atitude.   É nesta hora que os que estão em redor se espantam, normalmente não se espera isto de alguém que é sabidamente submissa.  Este é um conceito superficial e falho.
   Por outro lado a agressividade de alguns, a ignorância e o ser incisivo em excesso, a arrogância quando pode optar por algo mais ameno, geralmente denota um esforço de esconder sua fragilidade, que aí sim é real.   A busca por estar sempre sob os holofotes é uma atitude que denota falta, carência e em ultima instancia, a fraqueza.
   Falando de forma pessoal, não gosto de tomar a iniciativa das coisas, prefiro esperar que as pessoas se enquadrem, gosto de dar o tempo necessário, contudo não tenho tanto pavio para esperar demais, sou impulsiva, explosiva (até que melhorei muito com os ensinamentos do Dono).   Tenho asco de falta de noção das pessoas.   Tenho defeitos como todo mundo tem, são as nossas falhas e o que nos torna individuais, confesso que tenho o maior preconceito de burrice, não daqueles que não tiveram a oportunidade de aprender a ler, por exemplo, mas quem disse que inteligência se ganha na escola?   Tem um monte de gente com canudo na gaveta e completamente tapada, que pensa que é esperta só porque estudou um pouquinho mais que a maioria dos brasileiros, ledo engano.
   Então, ser submissa não é sinônimo de apatia ou de burrice, não significa que se trate de alguém incapaz de tomar a iniciativa, de tomar partido por ver a injustiça a seu redor. 
   Quando se trata de submissa numa relação de Dominação/submissão então...   Ela precisa ser forte para suportar humilhações, dor e muitas outras coisas.   Claro, isto dá prazer a ela, mas é quase como tomar a decisão de fazer uma cirurgia arriscada demais, a gente sabe que precisa, que nos fará bem, que no final será prazeroso, mas ter a coragem para fazê-la, ainda mais correndo riscos altos é uma escolha que nem todos fazem.   Posso falar isto com propriedade, pois a minha mãe sabia que precisava operar um câncer no cérebro uns três anos antes do óbito, mas preferiu esconder o exame dentro do colchão e se calar.
   Talvez eu seja uma submissa atípica, sei que tenho personalidade forte, que me manter sob domínio é uma tarefa árdua, que não é qualquer pessoa, não é qualquer um que se julgue Dominador, é preciso ser mais forte que eu, não gosto de fingir que me submeto como um teatro, quero e preciso sentir que é de verdade.   Gosto de ter espaço, se ser livre para falar, pensar, me expressar sem me sentir sufocada.   Sei bem qual é o meu ‘lugarzinho’, não é preciso que me tratem como anencéfala e fiquem controlando os meus textos, pajeando quando vou ao chat, tendo acesso as minhas senhas e manipulando meu MSN, basta saber me interpretar e saberá como me manter cativa.   Saber fazer isto sem ficar no pé da sub é ser consciente de sua capacidade.
   Por outro lado sei que não estou sozinha, que tem muitas submissas de personalidade forte, que sabem se posicionar sem esquecer onde é o seu lugar.
   Quando pensarem numa submissa, não confundam isto com fraqueza, repensem este conceito, pois há muita gente fraca sob a armadura da arrogância e muita gente forte que com prazer se põe aos pés de quem ama.



Dorei Fobofílica.

sábado, 31 de março de 2012

DOMINAÇÃO/submissão (dans l'amour)



   Quando estou ali...  É como sonhar de olhos abertos, ou vendados...  Viver, saber que estou para ti, é como uma ilusão intangível tocando a minha pele, é uma felicdade que dói, que preciso, que parece que não tenho direito a ela.   Voce em mim, é como um veneno com sabor de mel, um vício, uma necessidade insana, voraz...   Consome a minha carne, os meus pensamentos, devora meu coração e mesmo assim eu quero, preciso...   Voce acima de mim...   Meu desejo de te olhar...   Não posso, não deixas e eu...   Desenho teu rosto na minha lembrança, simples como todos os dias faço...    Saudade...    
   Eu olho para trás e não me reconheço mais...   Agora sou a tua escultura, o teu trabalho de lapidador...   Toda minha pele é tatuada das tuas digitais e tem o sabor do teu suor.    Voce comigo é magia sem igual, eu sinto teu desejo e o teu amor.   A tua força que me submete a teus pés, o teu cheiro me alucina, tua voz me faz tremer, querer...   Voce é o meu amor, o meu Senhor...



   Dominar é uma arte, submeter-se é um encantamento!  Dominador(a), muitos querem ser, mas liderar é um ‘dom’, a pessoa nasce ou não com ele, não é uma arte adquirida, é apenas aprimorada.  Não me refiro a berros, palavras de baixo nível, estupidez, falta de educação e gentileza, muito menos de inteligência, pois um líder (dominador), deve ter todos estes atributos por natureza, não me refiro a conhecimento literário, mas inteligência nata.   O mesmo está para a parte que se submete, submeter-se não é se deixar subjugar pela falta de opção, se deixar ferir na alma por não ter outra saída e com isto guardar dentro de si rancores, isto não é submeter-se consensualmente; e, não há BDSM ou SM sem esta predisposição a dar-se, mas dar-se só é verdadeiro e intenso, quando há sentimentos entre as partes, uma submissa de verdade, está escravisada pelo amor ao Dono; o mesmo está para o Dominador, ele só consegue esta devoção plena de uma mulher, se a faz sentir-se amada.   Sei que muita gente pensa diferente disto, mas penso que o ‘dono’ que não ama jamais cuidará tão bem de sua propriedade, pois o mesmo se dá com objetos, cuidamos com maior apreço quanto mais eles nos são queridos e isto independe do valor econômico que eles tenham. Não creio em submissão verdadeira sem paixão.   Tudo isto para mim é mera encenação teatral, que pode agradar a muitos, mas que não denota uma D/s de fato, intensa, real.   É como fazer sexo com quem não significa nada, é insípido.
   Pode ser que este tipo de pseudo D/s tenha valor para quem não tem nada melhor, que viva de ilusões, pode ter valor para quem só conhece Dominação/submissão virtual.   Eu me pergunto como ficam as emoções e o psicológico destas pessoas, que tudo o que possuem para satisfazer suas fantasias, sejam os encontros virtuais...  Francamente, eu estaria arranhando azulejo, seria como chupar bala com papel, sentir sede em frente ao mar...   Enfim, serve para quem vive uma história real, para deixar a expectativa para um próximo encontro, para fazer sonhar com coisas palpáveis, mas fora disto vai tornando a pessoa amarga, feito estas criaturas que na falta de uma vida própria para cuidarem, ficam atacando aquelas que as têm.   Nas salas virtuais é constante, cheio de criaturas encenando virtualmente uma vida que não têm ou dirigindo palavras de injúria a outros indivíduos.   Entretanto, serve para que estas pessoas terminem por se mostrarem como de fato são, basta ser perspicaz e acompanhar o cenário diário sem muito esforço.
   Um sujeito que se diz dominador e chega nas salas virtuais com Nicks duvidosos, já começa por aí a mostrar que seu caráter também não é muito diferente disto, quando ele se dirige a alguém, que pretende vir a ter como submissa, com palavras obscenas ou pejorativas, a coisa fica evidente, as letras garrafais, que virtualmente significam gritos, são no mínimo uma falta de educação imensa, a grafia diz muita coisa da personalidade das pessoas e os gritos, nada mais são que a tentativa de se auto afirmar, ou seja, demonstração de insegurança, na verdade.   Já a ‘submissa’ que chega se oferecendo, se não for um homem travestido de mulher pelo nickname, é uma pessoa que também inspira perigo a um Dominador sério, ela pode gostar de prostituir-se, ele jamais poderá confiar verdadeiramente nela, uma mulher que se atira, que avança, não é exatamente uma submissa.   Vejo muita formalidade entre os litúrgicos, não sou litúrgica, mas não creio que todo aquele floreio de palavras seja a denotação de domínio ou subserviência reais, não é por uma pessoa chamar a outra de Sr ou Sra que a respeita, teme ou está submetida; muitas vezes não existe este tratamento formal, mas a Dominação/submissão está ali muito mais viva do que quando o tratamento é exigido!   São muitos os fatores a serem observados para quem procura alguém em salas virtuais, mas o importante mesmo, é vir para o real, com sentimentos reais, conquistados com o tempo, não existe dominação ou submissão instantâneos, não se for verdadeiro, não se for com amor, com paixão, com confiança, confiança a gente conquista e a conquista é árdua, embora a perda seja rápida.
   Não quero aqui condenar aqueles que optam por viver outras formas de D/s, aqueles que apregoam que com sentimentos não se pode torturar uma submissa, que com sentimentos não se pode temer a um dominador (embora eu ache tudo isto muito perigoso), mas dentro do BDSM ou SM, não cabe que um julgue o outro, no máximo expor o que se pensa a respeito, falar dos perigos que há por trás de muito fervor, afinal, não podemos esquecer nunca dos sádicos doentios e/ou criminosos, estes são exatamente os teatrais.   Mas julgamento não cabe, basta que a sociedade faça isto, não precisamos disto entre nós.

Esta é a minha opinião.


Por Dorei Fobofílica


sábado, 17 de março de 2012

"A Surpresa"!!!



   Ando tão atribulada que não sabia o que dizer desta vez, mas para minha supresa, no final de semana que passou descobri a cerca de uma prática SM desconhecida para mim, trata-se de Figging, comentei com meu Dono...   O tempo passou e ontem tivemos um encontro e Ele veio com “A Surpresa”, o figging.   Marvilhoso ter um Dono que ama e deseja dar prazer a sua sub...  Quando ouvi sobre o assunto tive minha curiosidade despertada, que agora sei que voce que me lê também está, vou explicar; figging é uma prática que estima-se ser da era vitoriana e que depois caiu no esquecimento, algo feito com gengibre.   Não vou entrar nos detalhes didáticos, pois sei que vou excrever assim depois em meu blog, aqui quero falar das reações.   Eu já tinha lido sobre o figging depois que me foi dito, não é aquela coisa com legumes que se ve em fotos e filmetes pela rede, o propósito é outro.  A intenção é elevar o desejo sexual, como experimentei posso dizer que para uma submissa é uma experiência ímpar, o gengibre é vendido em seu estado natural como uma mão são raríssimos os casos de relatos de alergia, é um produto natural que não deixa nenhuma sequela, a pessoa esculpe um pequeno plug cuidando de deixar um esbarro para que ele não penetre todo e o introduz no ânus ou vagina, pode cortar uma rodela fina e por sobre o clitóris o que causa efeito ainda mais fantástico, se for um submisso, pode cortar um filete e inserir na uretra com o cuidado de deixar algo que sobre para tirar depois.   Do efeito posso dizer que primeiro não se percebe de imediato, depois vem uma queimação que começa suave e depois vai crescendo, lembra o efeito da pimenta na boca, mas um pouco mais leve e em seguida o calor penetra a carne na região e vai se espalhando em ondas por todo o corpo, dá uma vontade alucinante de tirar antes de que aquilo mexa absolutamente com a libido da gente devido a sua propriedade afrodisíaca, entretanto quando começa, a mulher (pelo menos foi comigo conforme li) começa a molhar e fica louca para ser penetrada e ter orgasmos.  Leva cerca de 5 minutos para atingir o efeito máximo e depois de mais uns 20 minutos começa a declinar, se quiser interromper o efeito basta por água fria ou gelada, não use lubrificante, pois ele funciona como selante e impede o gengibre de agir.  O figging não foi sempre praticado por SMs, mas por casais baunilhas também, ou principalmente, onde eles usavam o sumo como o que hoje se encontra em casas de sexy shop, aqueles óleos quentes estimulantes, então se voce tem a cabeça aberta a novas experiências, vale a pena tentar.


Dorei Fobofílica.

sábado, 3 de março de 2012

Exibicionista? Eu?!!


   Eu sempre afirmei categoricamente que tenho aversão a me exibir, mas até ler no Diário de Bordo a Gatinha Kitty a minha idéia de exibicionismo era outra...  Notei desde o começo seu blog que além de nos afinarmos, ela pensa muito parecido comigo, embora com aptidões diferentes, mas vemos o BDSM com a mesma perspectiva, sem nos importarmos com regras de desconhecidos, afinal de contas, o tempo passou e não há razão para ficarmos engessados no passado.
   Aí vem a Gatinha e fala de seu prazer em se exibir especificamente para seu parceiro, não é exatamente assim que mexe comigo, mas é quase isto, ela põe as fotos com cuidado em seu blog, também não é exatamente assim que eu espero que aconteça, mas de certa forma, parece.   Fiquei me fazendo mil perguntas, queria muito conversar com a Gatinha e pedi a ela que viesse, doce menina veio conversar e foi delicioso.
   Conversamos e eu falei da vontade de ser exibida por ele a outra(s) mulheres em reservado, uma espécie de ménage feminino, de ser exposta ‘aquém da minha vontade’ (claro que inconscientemente quero), mas eu não quero estar no comando, não quero que parta de mim, quero sofrer algumas ‘humilhações’ leves, ‘castigos’...   Na frente e/ou para a outra, mas sob comando Dele, então não é algo que possa partir de mim ou perderia o sentido.
    Na verdade fazia mais de ano que essa idéia me rondava e roia me fazendo achar que estou louca, até ler e conversar com a Gatinha e ela me dizer que é sim uma forma de exibicionismo e que existem várias formas.   Exibicionismo é assunto que nunca me interessei, quem me lê sabe que nunca expus meu corpo na rede, não é por nada,   Acho interessante quando é feito com bom senso e elegância, embora tenha uns sites que são um horror, tem outros de muito bom gosto.   Não faço porque não gosto, porque não vou fazer nada para agradar aos outros e me sentir infeliz.   Como não sabia que existem outras formas de exibição, simplesmente me dizia totalmente aversa a coisa. 
      É um exibicionismo particular e direcionado, misturado com humilhações eróticas, provocantes e desafiadoras.
   Então fica a pergunta:   Será que existem outras pessoas com desejos similares aos meus?   Que querem ser exibidas, forçada a se exibir para seu parceiro e ser exibida por ele como seu ‘objeto’, de acordo com a ‘vontade dele’?
   Claro, não espero que Ele adivinhe isto, eu já contei, já escrevi contos sobre para que Ele lesse A Amiga do Dono, mas Ele diz que não apareceu a pessoa certa, eu não sei bem se é isto...   Sei que Ele é super possessivo, mas a idéia não parece desagradá-lo ou ele não quer tirar a minha ilusão. Hehehehe
   Deixo aqui o link para um conto que explica minuciosamente as minhas fantasias, nele eu seria Ana...   Espero que apreciem!


Dorei Fobofílica.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O que é o BDSM em minha vida...



O que é o BDSM em minha vida...

   Certamente não é um estilo de vida como a maioria dos praticantes costumam dizer que seja na deles.   Como um amigo me disse estes dias, talvez eu seja a mosca na sopa do BDSM; claro, gosto de muitas das práticas, acho mesmo uma delícia ME SERVIR delas, sempre de coisas light que é como eu aprecio, que não deixam marcas que durem mais que algumas poucas horas.   Se eu gosto da dor?  Já afirmei isto mais de uma vez.   Gosto!  Nada de extremos... Embora eu prefira o shibari...

  O ‘açoite’ assusta no primeiro momento, depois vai se transformando numa sensação de calor que percorre todo o corpo como uma onda trazendo uma excitação extrema, é verdade que não vai acontecer nas primeiras vezes.  O mesmo se dá com diversas outras práticas, embora determinados jogos eu não aceite em hipótese algum,  nada que seja hard ou bizarro, que exponha a pessoa publicamente, que comprometa  a saúde da pessoa, seja física ou psicológica.   Talvez para uma pratica tão aberta eu seja conservadora demais, entretanto acho que sou mesmo é ponderada e penso que praticar algo tão sério precisa mesmo de muita ponderação, estar muito consciente dos riscos, de si e do outro, ou outros envolvidos.   Não espero ser aprovada pela comunidade pelo que eu penso, como não esperem que eu algum dia torne o BDSM meu estilo de vida, ele está para ME dar prazer e ao meu parceiro (Dono), não para eu me tornar ‘escrava’ de uma ditadura, acho que isto não cabe mais no nosso tempo.   Já me disseram que eu não sou praticante, mas o dicionário diz que praticante é aquele que pratica e se eu faço uso constante dos jogos, sou praticante sim, mais ainda, sou uma árdua pesquisadora, muito mais que a maioria dos psicólogos, psiquiatras e praticante de décadas; estes, que em muitos casos praticam sem ler, sem estudar; aqueles, os profissionais da medicina, que só fazem estudos em quem é doente, psicopata e condenado pela justiça a prisão ou pela medicina a tratamentos em clínicas de recuperação de algo que não tem recuperação, como a psicopatia.  Não vão em busca de pessoas que vivenciam isto de forma sã, segura e consensual, com respeito pelo outro, educação, bom senso...   Não, é tão mais fácil ficar apenas dentro do quadro clínico dos hospitais e que nada tem haver com a realidade da massa imensa e silenciosa de adeptos do erotismo exótico e sadio.   Claro que me refiro a profissionais deste nosso país, pois fora do Brasil não é assim que acontece, em muitos países chamados de primeiro mundo o BDSM é reconhecido como uma prática absolutamente normal, que é inerente a nossa espécie desde os primórdios.
Sou livre para pensar e caminhar sozinha quando quero e preciso

   As regras que vivo são feitas por nós, determinadas por Ele e aceitas ou não por mim, 'negociadas' como se diz no BDSM, não me engessa na minha vida diária, não preciso de aprovação para escrever, pensar e ser no meu dia-a-dia.   Lógico que assim como qualquer parceiro, seja em que tipo de relação for, ele vai opinar, as vezes tolhir para corrigir algo, não por outra razão que não seja a do meu próprio bem, afim de que eu não me exponha, de eu não fazer algo que se volte contra mim e não para me manipular como se eu fosse uma marionete incapaz de pensar.   Ter a 'posse' de alguém sem cortar o seu individualismo não é em nada ser menos que os outros Dons, muito pelo contrário, é ser muito consciente e seguro de si, saber que não precisa diminuir o outro enquanto ser humano para estar no comando da relação e é por isto que o admiro tanto, por isto exponho com tanta autonomia tudo o que eu penso, sem medo do pensarão os outros, porque na verdade só colho conhecimentos deles, nunca a ditadura que me tentam impor inúmeras vezes.
Sou livre para criar, produzir

   Eu e Ele nos servimos do BDSM para o nosso prazer, não servimos ao BDSM ou qualquer comunidade do gênero.


   Só queremos ser felizes e é o que eu desejo que as pessoas tirem do BDSM; felicidade emocional e sexual.   A vida da gente é uma só, dar importância a pessoas que nada tem haver com ela é perda de tempo.    Lógico que eu respeito às escolhas dos outros, se querem viver um estilo de vida que vivam, mas querer impor isto aos outros, ditar como devem viver é um pouco demais.   Digo a quem me lê apenas que pensem no que se propuseram a fazer, que seja para viverem melhor, avaliem as razões que o levam a prática e decidam por si, sem dar importância ao que vão pensar de voce, preocupe-se apenas com quem compartilha a vida contigo, pois como disse a bela Ayesk@Ursinh@, "ninguém paga as nossas contas".



Dorei Fobofílica.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Traindo sem culpa... Também pode.



   Na semana passada eu falei da traição dentro do BDSM e de como em uma relação como esta não tem espaço para traição, deixando claro que vejo uma imensa diferente entre fidelidade e lealdade e trair é ser desleal.   Entretanto a amiga Sophysticada me chamou a atenção para a necessidade real, irrevogável que a muitas pessoas tem de trair, claro que isto continua não valendo dentro do BDSM que é ao que eu me referia, mas sim dentro da maioria das relações baunilhas.   
   É verdade, quando a gente casa geralmente os pensamentos são puros, o sonho é a vida perfeita e fidelíssima dos contos de fadas que a gente lê na infância e que moldam parte da nossa personalidade de forma irremediável, mas a realidade é outra, a convivência cobra um preço muito alto e nem todos sabem pagar a conta.   Me atrevo a dizer que é praticamente impossível que a pessoa passe uma década casada sem pular uma cerquinha “básica”, principalmente se for homem, podem até dizer que é um pensamento machista, mas a verdade mesmo é que somos e sentimos a vida de forma diferente entre homens e mulheres.  
   Hoje já tem muita gente que conseguiu se libertar dos conceitos preconcebidos de comportamento conjugal, mas continuam sendo a minoria irrelevante diante da massa.   Não que o sujeito não faça as escondidas e ainda se sinta no direito de julgar os outros.
   Na verdade tem muita gente despreparada psicologicamente que vive o aparente conforto da hipocrisia que prega a monogamia como se de fato fossemos capazes disso e não fossemos os primatas polígamos que a natureza fez de nós.   Essas pessoas, ou por serem simplórias ou por serem ordinárias, precisam e muitas vezes merecem serem traídas sem culpa.

   Como a esposa mal amada de um bronco, que apesar de ser bronco, ela tenha lá seus motivos particulares para viver com ele, vai dizer a ele que quer viver um casamento aberto, com direitos iguais e que ela sabe o que ele anda fazendo fora de casa, que só quer viver com a verdade e direitos iguais?  Voce acha que um sujeito assim entenderia?  Ou aquela mulher que outrora era fogosa, mas que ao virar beata por sei lá que motivos, foi esfriando sexualmente, mas quer ver seu cônjuge ali...  A mercê de seus novos conceitos de vida, sexualmente frios e ele totalmente insatisfeito, apesar de ainda nutrir um grande amor por ela?  Eu observo que tem muita gente que de certa forma faz questão de ser traída e os seus pares ainda ficam se sentindo culpados, se forem pessoas de bom coração.    Mas qual o quê?  Esta é uma das razões mais freqüentes que levam a separação de um casal.    Outra razão  muito comum é quando a pessoa sai com alguém, que só estará com ela poucas horas e é claro, vai oferecer a ela sempre o seu melhor, sempre estará arrumada, perfumada, com assuntos novos e empenhada sexualmente.   Aí os tolinhos começam a acreditar que encontrraram o par perfeito e se separam para logo ver que trocou seis por meia dúzia, pois a convivência é uma coisa difícil, tem as contas a pagar, os reparos da casa e todas as dificuldades que a vida a dois impõe, é coisa para gente madura, que sabe ultrapassar as barreiras sem jogar todo peso na conta no outro e sabe fazer limonadas com os limões que a vida oferece. 
 
   Pior de tudo é quando a pessoa percebe que apesar de todas as dificuldades, da separação por causa da "traição" e de tudo que isto acarretou, foi um imbecil, pois agora que aquela paixão tórrida acabou, se dá conta que ainda ama aquela pessoa primeira com quem era casado, mas o orgulho de ambas as partes em perdoar acaba de por a ultima pá de cal na relação que a partir deste ponto poderia ser realmente boa, com lealdade em lugar de fidelidade, sabendo conviver com os defeitos do outro, pois ele faz o mesmo com os nossos.  
   Eu acho que está ficando muito evidente que eu gosto de relações sólidas, duradouras, abertas e maduras.   Caretice?  Ah, o que importa isto se dentro da caretice a gente for feliz?   Agora é uma admiração quando alguém diz que está junto há mais de uma década, como se fosse esperado sempre o fim dos casamentos.  
   Eu acredito que se existe amor, não me refiro a paixão tórrida e passageira, mas amor, daquele tipo que as vezes até parece que não existe mais, mas que volta e meia mostra a sua força sutil, ele deve ser preservado, que o melhor seria fazer isto com direito a ter relações extra conjugais, com ou sem o parceiro casado, mas que seja leal, mas se não dá, se não tem jeito, que seja como for possível, desde que cada um encontre a sua receita particular de ser feliz na família e na cama, consigo mesmo e que faça isto sem culpa, pois todos temos o direito de nos sentir amados, desejados, isto é mais que um direito, é uma necessidade física e psicológica, sem falar que quando começamos a nos apaixonar ou amar outra pessoa, não significa que temos que ter deixado de amar quem já amamos, isso é outra imbecilidade que enfiam na nossa cabeça desde sempre.   Precisamos nos adequar as condições que a vida oferece para viver bem.
Homenagem ao Trio mais fantástico da blogosfera, Loirinha Ksada, Mansinho e Wolvie, que fizeram suas opções sem se importar com o que pensam os outros.  Adoro voces!

   Seja como for a forma que voce vá viver a tua vida, não importa para os outros.

Dorei Fobofílica.


P.S.:  Volto a dizer que isto não vale dentro do BDSM.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Traição e BDSM, pode?



   Traição é um assunto polêmico seja dentro ou fora do BDSM, eu penso que haja uma sutil diferença entre fidelidade e lealdade; vejo a fidelidade como algo ultrapassado, inventado pela igreja e por homens que desejavam controlar o povo com suas regras que ferem a natureza humana, somos primatas polígamos.   É claro, somos também seres pensantes e não temos que ser promíscuos, nem ferir os sentimentos dos outros, por isto existe uma coisa chamada acordo e dentro do BDSM isto é intensamente praticado, feito previamente e várias vezes ao longo da relação, as pessoas sabem e concordam com o que virá a acontecer, não se magoam por causa disto.   Vejo a lealdade, ou a falta dela em todo seguimento da vida, não só na relação homem/mulher, penso que quebrar a confiança, o que foi acordado com palavras ou que tenha sido subentendido, é trair, não importa se é dentro da família, do trabalho, com amigos ou com parceiros sexuais, mas o que foi acertado antes e se está de acordo, seja lá o que for, claro que respeitando a integridade física e mental do outro não pode ser considerado traição.
   Obviamente que já se pode adivinhar que numa relação de Dominação/submissão só uma das partes tem este direito de se relacionar com terceiros, isto faz parte do acordo, mas se pensarmos que dentro do BDSM existe uma coisa chamada empréstimo de escravos, podemos ver que no frigir dos ovos não é exatamente assim, claro que tudo tem que ser consensual, acordado antes.   Pessoalmente eu dou outro nome a relações com desconhecidos ou mesmo pessoas que foram escolhidas por outra pessoa que não seja o submisso, para mim é uma forma de usar o BDSM como desculpa para a prostituição, mas esta é minha opinião, não confere com a de muitas pessoas no meio, entretanto sei que tem muitos pensam como eu.  Existem casos absurdos e não entendo bem o que leva ao submisso a aceitar tais coisas, como ser colocado em uma casa de prostituição real e ser usado para benefício financeiro de seu "dono" ou de quem ele aprouver, para mim isto, esta coisinha insignificante e doente, não é dono de nada, é um cafetão que usa o BDSM para justificar suas safadezas; e este é só um pequeno exemplo de abuso, onde o outro já foi completamente dominado psicologicamente, se sentindo inferior, um coisa nenhuma, ou mesmo, gosta de se prostituir de fato e de verdade.
   Vejo o BDSM com duas vertentes, a dos que o praticam com amor envolvido (meu caso) e os que fazem questão de que não haja sentimentos envolvidos, se é que isto é possível.   Não consigo ver uma relação tão intensa quanto sadomasoquismo e dominação psicológica sem haver sentimentos...   É teatro? Encenação pura?   Não, para mim não, tem que haver amor, paixão, para fazer bater forte o coração.   Sem falar que em muitos momentos a vida da pessoa estará nas mãos do Dominante e para isto tem de haver muita confiança.   Voce confiaria a sua vida a quem você não ama e que você não pense que te ama?   Quando digo confiar a vida, é no sentido de que o submisso muitas vezes estará amarrado, algemado, a mercê das vontades do outro; que as brincadeiras podem ser perigosas, como por exemplo o aparentemente inocente gelo, a pessoa lá, amarrada e amordaçada e o gelo dentro de seus orifícios por tempo demais, pode passar de prazer para morte dos tecidos e causar problemas graves, isto por falta de pesquisa e conhecimento antes de praticar os jogos chamados de adultos não por acaso.   Aí o sujeito diz que tem experiencia, que estudou muito o iceplay ou seja lá o que for e é tudo mentira, isto não é uma traição?   Não é uma traição grave onde quem vai pagar as consequências é voce que confiou?
   Então a traição em nenhum sentido tem espaço numa relação BDSM, pois se isto acontece quebra algo arduamente conquistado, a confiança, sem a qual não pode haver entrega absoluta, para que sejam feitas as brincadeiras de adultos.   Voce se deixaria amarrar por alguém que você não tenha plena confiança?   Deixaria alguém que você não tenha certeza que não vai ter ferir de verdade, nada além do que você permite fosse te açoitar?

   No BDSM ter várias escravas é natural para muitos, é aceito ou não, mas é uma opção que se discute abertamente, sem as neuras do mundo baunilha (que não pertence ao BDSM), não há a necessidade de mentir, de forma que tudo é dito francamente, tudo é exposto, os sentimentos mais secretos são explanados, os desejos mais incomuns são discutidos, dessa forma não há espaço para traição, se ela surgir toda relação foi comprometida, pois a confiança é a base junto a tríade SSC.  São, Seguro (confiável) e Consensual.
   A mesquinhez da nossa sociedade de pregar a poligamia como algo que chama de traição, desde os aparentemente inofensivos livros de contos de fadas que moldam a nossa personalidade desde a idade mais tenra é o que nos faz ter pensamentos retrógrados nos dias de hoje, mas se entendermos que trair é sinônimo de mentira e não de infidelidade, veremos que exigir do outro um comportamento de que ele e nem nós somos capazes de ter é pedir para ser enganado.  A partir do momento em que se tenha a liberdade de expor todos os desejos para o (a) parceiro (a), a relação fica mais sólida, a cumplicidade é de fato estabelecida, tudo se torna mais leve e feliz.   Infeliz foi aquele que inventou a palavra corno e deu a ela um sentido pejorativo, não tinha nenhum conhecimento da natureza humana e era um verdadeiro hipócrita que não admitia suas próprias atitudes e deixava de cuidar de si para julgar a vida dos outros, provavelmente era um e nunca soube disso, pois estava ocupado demais tomando conta da vida alheia.

   Seja qual for o estilo de relação que se escolha viver, o que vale mesmo é ter prazer e ser feliz, esquecendo os outros, das regras dos outros, o que os outros vão pensar, os outros não tem nada haver com a tua vida e nem precisam saber da tua vida íntima.   Não se importe com o que os outros dizem sobre isto ou aquilo, siga a sua vida se ela te faz feliz, se não faz, mude-a a tua vontade.

Dorei.


   Quero aproveitar a oportunidade de conseguir estar na internet, coisa que ficou rara agora para mim até não sei quando nesta minha nova cidade, para dizer que li finalmente os comentários do post do sábado retrasado e fiquei imensamente feliz, é muito gratificante este carinho de voces e saber que de alguma forma estou esclarecendo alguma coisa por pouco que seja, que BDSM não tem que ter dor se não se deseja, que pode ser apenas jogo de dominação e submissão, que ao contrário do que parece, está mais junto do nosso cotidiano e intimidade do que na maioria das vezes conseguimos perceber.


   Quem não entende porque a mulher está na posição de submissão na maioria dos casos, não entende também a natureza humana, fomos forjadas para servir, claro que toda regra tem exceções e tem muitas mulheres dominadoras e homens submissos, tem também os switchers (que alternam as posições, ora de comando, ora de subserviência. ora de sádico, ora de masoquista), mas isto é outra história.
   
   My Lady, o texto de sábado passado com a Déborah, ficou de tirar o folego e molhar a calcinha se eu usasse isto em casa, rsrs    Obrigada!




   Obrigada a todos pelo carinho e paciencia com minha ausência!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quais ordens e até onde pode um Dono mandar e sua sub obedecer?



   BDSM é um jogo erótico forte, ou pelo menos deveria ser assim, um jogo para pessoas maduras, um jogo onde ambos fazem um acordo, um manda e o outro obedece, mas como o próprio nome diz, é um jogo.   O tempo da escravidão acabou faz um tempinho, então o jogo de Dono (a) e escrava (o) se tornou mesmo interessante, porque a ideia primária é que termine quando a porta do quarto se abre para a vida real.   Contudo a nossa realidade aqui no Brasil é muito diferente da realidade BDSM fora daqui e às vezes, em raros casos, aqui também acontece um jogo chamado TPE, muito mais intenso, onde a submissa não tem nenhum direito 24 horas por dia 7 dias na semana.   Eu acho isto muito perigoso para dizer o mínimo e de certa ótica até hilário, pois no fundo todas estão cientes que a constituição não apóia tal coisa e no instante em que ela disser ‘acabou’, acaba o poder do ‘Dono’ e se ele insistir estará não somente ferindo a lei federal e internacional dos direitos humanos, como também a tríade que é à base do BDSM (SSC = São, Seguro e CONSESUAL).   Porem eu posso hoje dizer que para a comunidade do BDSM eu talvez seja a ovelha negra, aquela que contesta o que não acha certo, aquilo que foi ditado por pessoas que já nem fazem mais parte deste mundo por terem falecido faz tempo, conceitos ultrapassados e fora da nossa realidade.  
   Eu acredito que o que eu pratico seja BDSM pelo simples fato de cumprir a base, a tríade, mas de resto me considero apenas praticante de sadomasoquismo erótico, para ter e receber prazer com isto, pois este papo de que submisso só serve para servir e dar prazer é coisa de doente, eu quero e exijo ter prazer, se não for assim para quê fazer?    O jogo de D/s, o acordo previamente feito, a palavra a cumprir enquanto for interessante ser assim, é um jogo excitante e delicioso.  
   Quanto à dor, bem, a ideia de que masoquismo está invariavelmente ligado a dor é um erro, a própria vontade de estar numa posição de submissão e sujeição é uma forma de masoquismo, ter prazer em ser humilhada verbalmente ou de outras formas também é masoquismo, que não passa pela carne, é muito mais sério, é masoquismo psíquico.   Agora você pode estar pensando...   Quem em sã consciência iria gostar de ser humilhado?   Pois eu afirmo que as pessoas praticam isto constantemente de forma leve, naquilo que chamam de sexo quente; tapinhas na bunda  ou no rosto(sadomasoquismo físico), xingar de puta, vadia e afins (humilhação verbal), por de joelhos para fazer sexo oral, engasgá-la com o pênis e novamente, tapinhas no rosto e bater com o pênis no rosto (humilhação física) e por aí vai...   Em maior ou menor intensidade a maioria das pessoas curte e depois olha torto para quem pratica BDSM.  

   Mas o limite onde alguém pode mandar na sua submissa/escrava, do que pode fazer com ela ou não, na realidade depende do acordo que fizeram antes e bem lá no fundo é ela quem detém o poder de dizer quando parar, para isto existe algo chamado Safeword (palavra de segurança), que é o que ela diz quando não está mais tolerável.   Ah!   É verdade, quem pratica TPE dispensa a Safe, o que eu acho um erro, mas como não sou detentora da verdade e nem quero ser, quero apenas expor a minha opinião, fazer as pessoas pensarem no nível que estão levando suas brincadeiras, pensar se é válido e sadio dar prazer e satisfazer todas as vontades de alguém sem ter nenhuma compensação, compensação que para mim começa em ter orgasmos, prazer, porque ser privada de ter prazer para mim é um absurdo, exceto quando ele é apenas retardado, como parte de um jogo, não como a falta absoluta deste direito em tempo integral.  

   Existem alguns casos e relatos onde a ‘submissa’ é oferecida a outros, a revelia da sua vontade, que é alugada, emprestada, vendida, as vezes é mumificada (com gesso ou filme plástico para anular a sensibilidade da derme), encaixotada, onde apenas seus orifícios podem sentir algo, vendadas e com aros que mantêm a boca aberta, usadas por desconhecidos que ela nem pode ver, muitas vezes vários ao mesmo tempo e eu me pergunto; isto é o que?   Alguém tem mesmo o direito de prostituir alguém assim?   Ah!  É prostituição sim!   E não remunerada ainda por cima, porque se o pseudo-dono a aluga ele fica com toda a verba, mas vá lá, pode ser que ela goste de ser prostituta, mas neste caso não é BDSM, que aliás, está virando moda de forma totalmente deturpada.

   Que me desculpem os exagerados, talvez até doentes de querem apenas sofrer sem que isto lhes traga algum prazer, também os sádicos que tem prazer apenas causando sofrimento, que sim, são doentes e muitas vezes perigosos.   Eu não sirvo ao BDSM e ao sadomasoquismo,  me sirvo dele para meu prazer e do meu Dono (parceiro que amo e me ama), pois outra coisa que eu não consigo entender, é que alguns praticantes excluam da relação D/s o afeto, isto torna tudo mecânico e de um uma cena falsa e teatral e eu não confiaria minha vida, meu corpo e minha mente a alguém que não sinta nada por mim, como jamais me submeteria sem nada sentir.

   Então, digam o que disserem, TPE ou não, o limite dos direito de um Dono (a) fazer ou mandar, são determinados pela escrava (o), tolo é quem acredita que seja diferente, é estar de olhos fechados para o óbvio, a não ser que o submisso esteja preso sob alguma forma de chantagem, mas aí é caso de polícia.


   Então, amigos, o que de melhor eu posso dizer, é que seja como for a tua escolha, o que vale é dar e ter prazer, amar, ser feliz.

Dorei,