Passei uns dias pensando no que escrever. Escrevi e deletei inúmeras vezes numa angustiante tela em branco. Levantei, pensei, caminhei, pensei, atendi, pensei, voltei...e nada! Ás vezes o compromisso se torna um tormento para uma alma recolhida.
Até que me deparei com um texto que se apoderou do meu ser, fui absorvida por ele...e tornou-se uma necessidade postar aqui este pequeno trecho dos escritos de uma autora que admiro demais pela maneira tão indefectível e surpreendente com que percebe e descreve as almas inquietas e subversivas...
Campo Magnético
poema retirado do livro "O perigo do dragão"
"Agora eu já sabia dele,
já tinha conseguido desvendar a fantasia,
já quase na quarta casa onde se compreendem os mecanismos da alma,
o id, substrato da psique e as grades,
as cancelas,
quando surgiu a oportunidade de nos olharmos longamente,
ah! os freios, e eu senti uma atração alucinada por ele.
Isso é tudo.
Atração. Atração.
Faria qualquer coisa por ele.
Viagens interplanetárias.
Encontros furtivos.
Três dias de ônibus para Porto Alegre. Qualquer coisa.
Seria capaz de mentir.
Estranhos espaços da mente. Atmosferas.
Por ele até abstinência sexual.
Um homem comum, apenas isso.
Mas eu sabia que ele trazia latente aquela coisa absoluta. Definida. Demoníaca.
Delírios, pactos, bastava ver como tragava a fumaça, de maneira perigosa.
Por ele eu me arrastava no tapete, pensei,
ah! se ele soubesse, decorei nomes de árvores, espécies, qualidades quando ele me disse que gostava e eu só de vê-lo falar de eucaliptos, ipês, espatódias, bauínias, algarobas, magnólias, tibuchinas, oleandros, muçuendas, acácias, paineiras, plátanos, olmos e resedás, pensava involuntariamente em sexo.
já tinha conseguido desvendar a fantasia,
já quase na quarta casa onde se compreendem os mecanismos da alma,
o id, substrato da psique e as grades,
as cancelas,
quando surgiu a oportunidade de nos olharmos longamente,
ah! os freios, e eu senti uma atração alucinada por ele.
Isso é tudo.
Atração. Atração.
Faria qualquer coisa por ele.
Viagens interplanetárias.
Encontros furtivos.
Três dias de ônibus para Porto Alegre. Qualquer coisa.
Seria capaz de mentir.
Estranhos espaços da mente. Atmosferas.
Por ele até abstinência sexual.
Um homem comum, apenas isso.
Mas eu sabia que ele trazia latente aquela coisa absoluta. Definida. Demoníaca.
Delírios, pactos, bastava ver como tragava a fumaça, de maneira perigosa.
Por ele eu me arrastava no tapete, pensei,
ah! se ele soubesse, decorei nomes de árvores, espécies, qualidades quando ele me disse que gostava e eu só de vê-lo falar de eucaliptos, ipês, espatódias, bauínias, algarobas, magnólias, tibuchinas, oleandros, muçuendas, acácias, paineiras, plátanos, olmos e resedás, pensava involuntariamente em sexo.
Ele dava claro sinais de possuir uma outra identidade debaixo do mesmo signo. E sentia, como eu, uma atração pelo marginal, o lado escuro da vida, tipico dos que tem o sol em Touro.
- Quero a secreta - eu disse de repente no susto. Ele ficou me olhando de longe, as pessoas passando. Acho que me entendeu, deve saber da propria loucura e eu não entendo porque ele se defende desse jeito, um fugitivo ou um prisioneiro de si mesmo, como diria Lao-Tse, e eu suponho que as vezes se manifeste uma atração como a minha, doida pra agarrar, grudar, chupar, lamber, ah! as febres, os demônios compulsivos.
Eu ia gritar pra ele que seria um prazer se pudessemos rolar juntos, rolar, rolar, um prazer, rolar, gemer.
- Quero a secreta - eu disse - quero descobrir aquela que você nem conheça. - E como havia pessoas em volta eu não falei nada da atração e nem de todo resto. Para os esquisofrênicos e facil, mas ele tem familia, nome, posição, estas coisas atrapalham você sabe."
Bruna Lombardi






